Matthew Barney
1967, São Fransisco, EUA. Vive e trabalha em Nova York, EUA.
A arte de Matthew Barney é conhecida como marco da mudança dos anos 1980 para os anos 90. Através de suas esculturas, fotografias, desenhos e filmes, o artista aborda assuntos como o controle, a disciplina e a transgressão dos limites do corpo. Repletos de conteúdo mitológico, literário, simbólico e metafórico, seus trabalhos desenvolvem estranhas e complexas cenas compostas por figuras reais ou mágicas. São obras que refletem mitologias pessoais construídas a partir de dados biográficos e expressas através de um assunto universal: o corpo humano. Antes do início de sua carreira artística, Barney era um atleta. Muitas vezes é possível notar como ele combina seu talento físico com materiais estéticos não tradicionais e formas escultóricas, moldando-os em uma expressão artística excepcional. Barney coloca o corpo em um contexto sincrético da mitologia clássica, da religião, da história, da arte pop e de Hollywood, criando um produto cultural que serve de modelo para o pensamento criativo e comunica visualmente a realidade complexa criada pela nossa sociedade.
Transexualis (Decline) (1991)
Esta é uma das primeiras obras de Matthew Barney, e uma importante precursora do conhecido Ciclo Cremaster (parcialmente exposto no Pavilhão). Para sua primeira exposição em Nova York em 1991, Barney criou uma performance em que seu corpo, suor e vigor foram afunilados em uma manifestação artística. Ele subiu e andou pelo teto, nu, usando apenas seus equipamentos de montanhismo e terminou em um refrigerador, junto a uma escultura feita de gelatina fundida de petróleo, reminiscente de um banco de levantamento de pesos. A performance foi documentada e o filme é exibido na sala atrás do refrigerador.
Dentro do refrigerador encontram-se referências claras ao fisioculturismo. Um banco de levantamento de pesos e uma pequena cápsula de HCG, hormônio usado por fisioculturistas para aumentar a massa muscular. O fato de que faz muito frio dentro da instalação também é significativo para o artista. Quando o corpo masculino é exposto ao frio, o músculo cremáster é ativado para proteger os testículos empurrando-os para dentro do corpo. Este movimento não pode ser controlado pela vontade humana e, para Barney, é uma imagem do processo criativo. Desse modo, pode-se ver a clara ligação entre esta obra e sua última obra, o Ciclo Cremaster.