EducativoImagem, palavra e som
02/02/2012 20:00

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Encontro do Educativo Bienal na Escola Viva

Encontro do Educativo Bienal na Escola Viva - Educação Infantil

Como falar sobre arte? Como falar sobre imagens? Como falar imagens? Com essas perguntas o palestrante e artista, Matheus Leston, abriu o segundo encontro de arte contemporânea do Educativo Bienal de 2012. Cerca de 80 professores da Educação Infantil da Escola Viva participaram do encontro sobre a 30ª Bienal de São Paulo – A Iminência das Poéticas.

Matheus começou a apresentação falando sobre a relação entre imagens e palavras, uma das principais discussões da 30ª. O palestrante fez conexões com trabalhos como “A Traição das Imagens”, de René Magritte, em que a figura de um cachimbo é acompanhada da frase "Isto não é um cachimbo” (Ceci n'est pas une pipe). O que afinal é o cachimbo? O objeto, a palavra que atribuímos a ele, ou a imagem? Apresentou, então um trabalho de Banksy, artista de rua londrino, em que se vê uma torneira e a frase “Isto é um cano” (This is a pipe).

A arte que se alimenta da própria arte, os ciclos, as referências, os objetos e a influência de tudo que antecede a própria arte, o texto e o subtexto no processo artístico, essas foram outras questões discutidas. O trabalho do poeta chileno Juan Luis Martínez, artista que associa texto e imagem, participante da 30ª Bienal, também foi apresentado ao grupo.

Matheus falou também sobre a 4’33’’, música do compositor John Cage, em que se discute a o som e a ausência de som. A peça possui exatamente quatro minutos e 33 segundos de silêncio. Ouça a música no vídeo.

Além da palestra, Matheus propôs uma ação poética: exatamente às 15h40, horário de intervalo para o café, o palestrante sugeriu que todos se dirigissem ao refeitório da escola em absoluto silêncio e que permanecessem assim por 5 minutos. Uma sequência de risos e surpresa. O desafio pareceu mais simples e prontamente todos os professores aceitaram.

“Isso parece uma música do Pink Floyd”, falou uma professora. “E será que existe silêncio?”, interrogou Matheus. Logo depois outro professor comentou: “eu acredito que com esse exercício a gente pode ter consciência do processo. Você colocou uma moldura no som quando nos propôs esse exercício. Eu pensei na experiência de pegar um ônibus lotado. Nesse caso estão sei lá, 40, 50 pessoas em silêncio e ninguém presta atenção que existe esse silêncio. Cada um está pensando em sei lá o quê, preocupado com outras coisas”.

Matheus finalizou o encontro falando sobre outra artista que estará na 30ª Bienal, a americana Maryanne Amacher. Para ela, a música não era imaterial, mas algo concreto, uma arte espacial. Na obra “Links urbanos” (City Links), Maryanne capta barulhos de diferentes pontos da cidade de Nova York e reúne esses sons em uma galeria. Lugares que espacialmente nunca se cruzariam estavam materialmente juntos através da obra. 

Ao final do encontro, o coordenador das áreas de Música e Corpo e Movimento da Educação Infantil da Escola Viva, Gustavo Karlat, disse que o encontro de arte contemporânea do Educativo trouxe um conteúdo que dialoga com a prática cotidiana da escola. “Não é por acaso, não é uma surpresa. As duas instituições têm um jeito de pensar a educação com outras propostas, outros olhares”.

Os encontros do Educativo da Bienal seguem até o fim da exposição. Se você tiver interesse em participar, entre em contato com o Educativo Bienal pelo e-mail educativo@bienal.org.br.

Texto: Simone Castro
Fotos: Denise Adams

 

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