Como parte integrante do grupo de ações e eventos que dão corpo à 29ª Bienal de São Paulo, CAPACETE propõe ser, já a partir de março de 2010, um "espaçotempo" de convergência multidisciplinar a partir do formato "salão de conversas", formato esse que, no século 19, possibilitava que diferentes personalidades e profissionais da alta burguesia trocassem informações de suas diferentes viagens, pesquisas e atividades. Na era do transporte acessível, porém, John Cage transferiu o "salão" da sala de jantar para a cozinha. E hoje o "salão" acontece no mundo virtual da net.
CAPACETE parte do princípio de que os eventos mais importantes para a produção de sentido acontecem nos "entre-espaços" e "entretempos", apresentando-se de modos flutuantes e instáveis e sendo, portanto, imprevisíveis e incontroláveis. Pode o café da manhã, por exemplo, ser o fórum central de convergências de ideias e de trocas? Ou sempre foi ele, de fato, o nervo central desses encontros e permutas? CAPACETE se ocupa em propor, de modo contínuo e desde os lugares os mais inesperados, trocas não lineares e não hierárquicas.
CAPACETE passou por diversas fases de reestruturação, questionando a própria função do formato de "residência" dentro do contexto local, adaptando-se às exigências de projetos cada vez mais complexos e inserindo-os em diferentes lógicas e localidades.
Desde a sua inauguração, em 1998, CAPACETE instiga e apoia as diferentes pesquisas realizadas por seus artistas/curadores/críticos convidados, inserindo-os na lógica do imprevisível. O que interessa a CAPACETE, e o que o conecta ao projeto curatorial da 29ª Bienal de São Paulo, é essa noção do sistema instável que gera incertezas e, portanto, provoca conexões possíveis, ainda que possam, em princípio, parecer improváveis.
Como organismo convidado para integrar o corpo de ações da 29ª Bienal de São Paulo, CAPACETE funcionará como uma plataforma discursiva da proposta curatorial, construindo um diálogo vivo com seus participantes.
Anri Sala / Jeremy Deller e Amilcar Parker / Cristina Ribas e Wouter Osterholt & Elke Uitentuis / Daniela Castro, Inti Guerrero, Luisa Duarte e Sarah Farrer / Renata Lucas e Carlos Bunga / Milton Machado e Martin Beck / Santiago Garcia Navarro e Carla Zaccagnini / Teresa Riccardi e Julia Rometti & Victor Costales / Rina Carvajal, Moacir dos Anjos, Agnaldo Farias / Chus Martínez, Yuko Hasegawa / Fernando Alvim e Sarat Maharaj / Raquel Garbelotti com Cauê Alves, Ilana Feldman e Ismail Xavier / Jimmie Durham e Maria Thereza Alves / Ducha e Jean-Pascal Flavien / Adrià Juliá com Madalena Bernardes, Carlos Alberto Franzoi, Gleison Vieira / Wendelien van Oldenborgh e Raquel Garbelotti / Romulo Fróes, Eduardo Climachauska e Nuno Ramos / Mariana Castillo Deball e Tiago Carneiro da Cunha
Capacete propõe, como parte de suas atividades, a oficina Máquina de Responder para um grupo de dez a quinze pessoas selecionadas por edital aberto. Caracteriza-se como uma "mesa de trabalho", realizada durante nove meses e que busca aguçar a habilidade de escuta e resposta – respons(h)abilidade – a algumas questões colocadas pela 29ª Bienal, sempre a partir das especificidades das práticas de cada integrante do grupo. Pensando o texto como matéria primeira de reflexão e intervenção, essas oficinas são um laboratório de discussão e produção para gerar um manancial crítico e qualitativo relacionado ao evento e ao público desta Bienal.
Participantes
Cayo Honorato / Daniel Rubim / Daniela Castro / Fernanda Lopes / Fernanda Pitta / Helmut Batista / Hugo Fortes / Jorge Menna Barreto / Júlia Ayerbe / Julia Buenaventura / Livia Benedetti / Lucia Prancha / Luiza Proença / Mariana Lanari / Rafael RG / Keila Kern / Roberto Winter / Rodrigo Garcia Dutra / Vagner Godoi / Vitor Cesar.