Título: Fundo Francisco Matarazzo Sobrinho
Data: 1880-1981
Dimensão e suporte: 28 álbuns fotográficos contendo 1.541 fotografias, mais 1.347 fotografias avulsas e 1.780 pastas de documentos textuais
Nível de descrição: item documental
Nome do produtor: Família Matarazzo
Contextualização: coleção de documentos reunidos e organizados pelo antigo secretário de Francisco Matarazzo Sobrinho, Manoel Esteves da Cunha Jr. – o Sr. Neco. Testemunham várias instâncias da vida cultural da capital paulista ao longo das décadas de 1950, 1960 e 1970, quando o criador da Fundação Bienal de São Paulo atuou como um dos principais agentes culturais da cidade. A coleção contém documentos organizados em grupos temáticos que refletem a importância da atuação de Ciccillo Matarazzo para a história de São Paulo e do país: Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), Fundação Bienal de São Paulo, Museu do Presépio, IV Centenário, Prefeitura de Ubatuba, Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), Companhia Cinematográfica Vera Cruz, homenagens, correspondência pessoal, documentos particulares, depoimentos, registros fotográficos e de imprensa. O Arquivo Pessoal de Ciccillo Matarazzo passou para o arquivo da Fundação Bienal de São Paulo depois da morte de seu fundador, em 1977.
Instrumentos de Busca: índice com descrição de cada item documental, organizado por assunto. O índice e as informações de conservação e restauro de cada documento podem ser consultados no Banco de Dados.
Condições de acesso: disponível para pesquisa.
Condições de Reprodução: documentos e imagens podem ser escaneados e fornecidos ao pesquisador, mediante solicitação por escrito com justificativas e finalidades de uso do material e pela assinatura do Termo de Responsabilidade, além das autorizações relativas aos diretos autorais.
Incorporações: não são previstas incorporações ao fundo.
Notas: esse conjunto foi tratado com recursos do Projeto de Conservação e Preservação do Arquivo Histórico (parte integrante do Plano de Trabalho 2006-2007) e compreendeu os trabalhos de diagnóstico, higienização, pequenos reparos, planificação e reacondicionamento dos documentos textuais, gráficos e iconográficos, além da catalogação de cada documento e a informatização de parte das informações coletadas.

Biografia de Francisco Matarazzo Sobrinho
Francisco Matarazzo Sobrinho – conhecido como Ciccillo Matarazzo – nasceu em São Paulo em 1898, sobrinho do Conde Francisco Matarazzo, italiano que construiu um dos maiores complexos industriais do Brasil. Viveu entre os dez e vinte anos na Europa, quando cursou engenharia em Liège, Bélgica. Voltou ao Brasil na década de 30 e tornou-se, com o desmembramento das empresas da família, o único proprietário da Metalúrgica Matarazzo-Metalma.
Em 1947 casou-se com Yolanda Penteado. Pertencente a uma tradicional família cafeicultora paulista e membro da elite cultural e artística paulistana, Yolanda torna-se sua grande parceira no desenvolvimento de audaciosos projetos e teve papel crucial no sucesso da Bienal de São Paulo.
De 1945 até 1977, ano de sua morte, Ciccillo esteve envolvido nos projetos culturais que transformaram a cidade de São Paulo no grande pólo artístico, cultural e econômico que é hoje. Os principais eventos e instituições culturais paulistas como o Teatro Brasileiro de Comédia, a Cinematográfica Vera Cruz, a Cinemateca Brasileira, a construção do Parque do Ibirapuera, o Museu de Arte e Arqueologia da Universidade de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC-USP, a Bienal do Livro, as Bienais de Arquitetura, o Presépio Napolitano, o Balé do IV Centenário e as representações brasileiras nas Bienais de Veneza, tiveram seu incentivo. Aventurou-se também na vida política, assumindo a Prefeitura da cidade de Ubatuba, no litoral Paulista, de 1964 a 1969.

Em meados da década de 40 inicia seu primeiro grande projeto, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Do contato com intelectuais como o crítico de arte Sérgio Milliet e o arquiteto Eduardo Kneese de Mello surge a ideia de criação de um museu paulista dedicado à arte moderna. A concretização de seus planos ocorre com a aproximação com o industrial norte-americano Nelson Rockefeller, dono da Standard Oil e presidente do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York. Através do diálogo iniciado por Sérgio Milliet em 1942, acorda-se a cooperação com o MoMA, para a criação do Museu de Arte Moderna em São Paulo, baseado no modelo do museu norte-americano. Em 1949, o MAM-SP é inaugurado com a exposição Do Figurativismo ao Abstracionismo, primeira mostra coletiva de arte não-figurativa no Brasil, organizada por Léon Degand, crítico belga residente em Paris, convidado por Ciccillo.
Após o MAM-SP, Ciccillo idealiza um projeto ainda mais ambicioso, a Bienal Internacional de São Paulo, tendo como modelo a Bienal de Veneza. Em 1951, na área do recém demolido Trianon, na Av. Paulista, ergue-se o pavilhão temporário da primeira edição da mostra de arte, que a partir de 1953 ocorre no Parque do Ibirapuera, onde continua até hoje.
Em 1962, com o crescimento do evento e com mudanças havidas no MAM-SP, é decidida a criação da Fundação Bienal de São Paulo, que se ocupa desde então da Bienal de São Paulo. No ano seguinte o MAM-SP é extinto e sua coleção artística transferida para o Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP). Ciccillo continua atuante à frente da Bienal, de cuja presidência renuncia somente em 1975, dois anos antes de sua morte.
Ciccillo faleceu em 16 de abril de 1977, em seu próprio apartamento na Avenida Paulista.