Bio Ciccillo

Francisco Matarazzo Sobrinho, ou Ciccillo como era amplamente conhecido, nasceu em São Paulo em 1898 e era sobrinho do Conde Francisco Matarazzo, italiano que construiu um dos maiores complexos industriais do Brasil. Viveu entre os dez e vinte anos na Europa, cursou engenharia em Liège, Bélgica. Voltou ao Brasil na década de 30 e tornou-se, com o desmembramento das empresas da família, o único proprietário da Metalúrgica Matarazzo-Metalma.

Em 1947 casa-se com Yolanda Penteado. Pertencente a uma tradicional família cafeicultora paulista e membro da elite cultural e artística paulistana. Yolanda torna-se sua grande parceira no desenvolvimento de audaciosos projetos e terá papel crucial no sucesso da Bienal de São Paulo.

De 1945 até 1977, ano de sua morte, Ciccillo esteve envolvido nos grandes projetos culturais que transformaram a cidade de São Paulo no grande pólo artístico, cultural e econômico que é hoje. Os principais eventos e instituições culturais paulistas como o Teatro Brasileiro de Comédia, a Cinematográfica Vera Cruz, a Cinemateca Brasileira, a construção do Parque do Ibirapuera, o Museu de Arte e Arqueologia da Universidade de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC-USP, a Bienal do Livro, as Bienais de Arquitetura, o Presépio Napolitano, o Balé do IV Centenário e as representações brasileiras nas Bienais de Veneza, tiveram seu incentivo. Aventurou-se também na vida política, assumindo a Prefeitura da cidade de Ubatuba, no litoral Paulista, de 1964 a 1969.

Porém, é em meados da década de 40 que inicia seu primeiro grande projeto, o Museu de Arte Moderna de São Paulo. Do contato com intelectuais como o crítico de arte Sérgio Milliet e o arquiteto Eduardo Kneese de Mello surge a ideia de criação de um museu paulista dedicado à arte moderna. A concretização de seus planos ocorre com a aproximação com o industrial norte-americano Nelson Rockefeller, dono da Standard Oil e presidente do Museum of Modern Art (MOMA) de Nova York. Através do diálogo iniciado por Sérgio Milliet em 1942, acorda-se a cooperação com o MOMA, para a criação do Museu de Arte Moderna em São Paulo, baseado no modelo do museu norte-americano. Em 1949, o MAM-SP é inaugurado com a exposição Do Figurativismo ao Abstracionismo, primeira mostra coletiva de arte não-figurativa no Brasil, organizada por Léon Degand, crítico belga residente em Paris, convidado por Ciccillo.

Após o Museu de Arte Moderna, Ciccillo idealiza um projeto ainda mais ambicioso, a Bienal Internacional de São Paulo. Tendo como modelo a Bienal de Veneza, em 1951, na área do recém demolido Trianon, na Av. Paulista, se ergue o pavilhão temporário da primeira edição da mostra de arte, que a partir de 1953 ocorre no Parque do Ibirapuera e que continua até os dias atuais.

Em 1962, com o crescimento do evento e com mudanças havidas no MAM-SP é decidida a criação da Fundação Bienal de São Paulo, que se ocupa desde então da Bienal de São Paulo. No ano seguinte o MAM-SP é extinto e sua coleção artística transferida para o Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP). Ciccillo continua atuante à frente da Bienal, de cuja presidência renuncia somente em 1975, dois anos antes de sua morte.

Ciccillo faleceu em 16 de abril de 1977, em seu próprio apartamento na Avenida Paulista, coração da cidade que admira seu legado até os dias de hoje.

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