“Eu vejo que os alunos percebem que estudar arte contemporânea é se relacionar com as questões do cotidiano e também desmistificar a arte, que antes era vista com um certo verniz”. A fala do professor Pio Santana, da rede pública estadual de São Paulo, contextualiza o sentimento de grande parte dos professores presentes no Cine Sabesp, nos dias 16 e 17 de setembro. A maior parte dos profissionais participou da primeira etapa de formação do Projeto Educativo da 29ª, que acontece desde fevereiro de 2010.
As dificuldades em sala de aula, os anseios, as experiências, tudo foi dialogado com Stela Barbieri, curadora educativa da Bienal de São Paulo. Os professores também falaram sobre as diferentes formas que utilizaram o Material Educativo distribuído na primeira formação. São cartazes, fichas, um tabuleiro de jogo, material sobre artistas e obras presentes na 29ª que podem ser usados em sala, de inúmeras formas.
A professora Simone Tineo, que ministra aulas para crianças de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental, espalhou as imagens pelo chão da sala e as crianças escolheram as que mais se interessaram e fizeram interpretações das obras através da manifestação de linguagem corporal. “Até rendeu histórias”.
Já o professor André Papineanu, que trabalha na educação infantil com crianças de até seis anos, associou o material ao brincar. Levou seus alunos para o jardim e apresentou a imagem onde o artista Jimmie Durham esconde o rosto atrás de uma pedra. “As crianças inicialmente acharam que ele estava triste, depois também esconderam seus rostos atrás de pedras e perguntavam aos colegas se estavam sorrindo ou sérios. Eles estão entendendo que a arte não está só no desenho, saber pintar jacaré, está também na performance”.
Laura Honório, diretora de ensino de Diadema, falou sobre as dificuldades e o receio que muitas vezes os professores têm da arte contemporânea, por estar associado a algo distante e elitizado. Ela lembrou ainda a importância de participar de formações, visitar exposições, e perder o medo deste universo fascinante e muito mais próximo do que parece.
CILDO, O FILMEApós o bate-papo com Stela, os educadores assistiram ao documentário
Cildo, o Filme, sobre o artista plástico Cildo Meireles. Eles também conversaram com o diretor, Gustavo Rosa de Moura, que falou sobre o desejo de construir uma película que fosse acessível e como cinema dialogasse com a arte contemporânea, mas sem ser algo teórico ou incompreensível.
Gustavo também lembrou que o filme é uma obra cinematográfica, ele não pretende substituir o desejo do público de vivenciar a experiência artística de conhecer pessoalmente a obra de Cildo. O longa é composto por diversos depoimentos do artista, gravados entre 2005 e 2008.
Cildo, o Filme, tem pré-estreia em São Paulo no próximo dia 20 de setembro, às 20h, no Espaço Unibanco. Além do diretor Gustavo, um debate com o jornalista Marcos Augusto Gonçalves e o artista plástico Cildo Meireles será realizado após a sessão. O documentário entra em cartaz no dia 24 de setembro e em 15 de outubro, no Rio de Janeiro.
CINEMA VOLTADO AOS PROFESSORESPara Rodrigo Mathias, superintendente de comunicação da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), é fundamental a parceria com o Projeto Educativo da Bienal de São Paulo e que a sala do Cine Sabesp seja um espaço voltado para os educadores.
A partir de outubro, serão projetados filmes do Clube do Professor, exibidos todos os sábados, às 11h, sempre com um longa-metragem relacionado à educação. Toda a programação é gratuita. O Cine Sabesp está localizado na Rua Fradique Coutinho, 361, em Pinheiros, São Paulo.
Para mais informações acesse o site
www.escolanocinema.com.brFoto: Stela Barbieri, curadora educacional da 29ª, e Pio Santana, educador / Denise Adams