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Conteúdo da Página Reencontro, surpresa, olhares curiosos e cheios de expectativa. O dia primeiro de junho foi também o primeiro dia do curso de formação dos estagiários que farão as visitas orientadas na exposição Em Nome dos Artistas. Muitos já foram educadores na 29ª Bienal, outros tantos começam agora.
Graziela Rosenda da Silva, de 19 anos, estudante do primeiro período de Artes Visuais na Uniradial é uma das novas estagiárias. Encantada com a arte contemporânea e com o objetivo de aprofundar seus estudos, ela resolveu concorrer à vaga e participar do curso. “Eu adoro aprender, toda oportunidade que eu tenho de fazer oficinas, cursos, sempre faço. Vai ser uma grande oportunidade para conhecer outras pessoas, trocar informações”.
Já Osvaldo Sant’Anna Júnior, de 25 anos, estudante do 4º ano de história na Fundação Santo André, diz que ter trabalhado como educador na 29ª foi um divisor de águas em sua vida. “Eu marginalizava a arte contemporânea, gostava muito da arte acadêmica, mas ser educador mudou minha forma de ver o mundo, tanto no contexto histórico, quanto na forma de me relacionar com as pessoas, com a educação, no contato com a arte”.
O curso tem sua primeira etapa em junho, com 220 estudantes de graduação, dos quais serão escolhidos 180 para continuar até o final da exposição. Na primeira fase serão 13 grupos, seis pela manhã e sete à tarde. Restabelecendo o convênio do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), com o Educativo da Bienal, a proposta é que os estagiários aprofundem seus conhecimentos sobre arte contemporânea, educação, mediação e especialmente, reflitam e criem conexões a partir de suas experiências e vivências. Eles devem participar também das ações externas do Educativo em instituições, ONG’s, escolas, além de visitar e conhecer os educativos das principais instituições culturais de São Paulo.
No encontro de abertura a curadora educacional do Educativo da Bienal, Stela Barbieri, fez uma breve apresentação sobre a exposição Em Nome dos Artistas: arte contemporânea norte-americana na coleção Astrup Fearnley e sobre a importância do trabalho dos educadores. “O nosso compromisso é com a formação das pessoas, mas também é um compromisso com a arte”.
Stela falou sobre as conquistas e dificuldades da 29ª e sobre os projetos de Em Nome dos Artistas. A possibilidade de encontros entre estudantes, supervisores, funcionários da Bienal e posteriormente, na exposição, o encontro com as obras e com as pessoas que visitam a mostra.
Depois da fala de Stela, cada supervisor fez uma reunião de apresentação com seu grupo para apresentar as diretrizes e dinâmicas. E então as rodinhas de educadores voltaram a habitar o Parque Ibirapuera.
Abaixo você confere o texto do supervisor do Educativo, Otávio Zani, sobre suas impressões no primeiro dia do curso de formação dos estagiários.
Reflexões sobre o primeiro dia da formação (jun.01.2011)
A primeira lembrança que me vêm à cabeça é de uma manhã super tranquila e agradável. A começar pelo encontro de colegas já no ônibus, a caminho da Bienal. Manhã que se seguiu na mesma sintonia até o término da reunião com o novo grupo de educadores. Ocasião, encontro, devir, compromisso onde conversas sob o sol leitoso da manhã e diálogos sensíveis e inteligentes contribuíram para um despertar do dia muito aprazível e um tanto saudosista.
Após a fala da coordenação (Pablo e Laura), já no auditório do MAC, fiquei muito contente com as "boas-vindas" da Stela, que incluiu um discurso, ao meu ver, muito coerente com a experiência que foi a 29ª Bienal. Isso também contribuiu para reverberar um sentimento de confiança por parte dos educadores, que claramente refletiu na ótima conversa em grupo que tivemos durante o restante da manhã.
O grupo a princípio aparentou uma maturidade surpreendente. Pois apesar de muito jovem, alguns educadores já encontram-se no segundo curso superior e outros já trabalham ou possuem experiências profissionais diversas.
Para nos conhecermos melhor, propus uma dinâmica: formar duplas e cada um se apresentar para o outro durante 15 minutos corridos. Depois, o grupo todo é reunido novamente e cada um da dupla faz uma breve apresentação do outro. A minha intenção com essa dinâmica foi de aprofundar o diálogo, e também de descontrair, deixando a conversa se adensar ao seu tempo, naturalmente, sem a pressão comumente causada em apresentações em grupo.
Se por um lado o aprofundamento da conversa foi um convite ao diálogo, a partir da formação da dupla, configura-se como um processo paralelo, binomial. Ao se reunirem em grupo, a experiência seguinte é oposta a isso, pois os educadores difundem esse acontecimento recente para todos e para eles próprios. O tempo prolongado, a construção efetiva de um diálogo, permite que a conversa e seu pretexto inicial tomem outros rumos. Divagou-se positivamente para outros assuntos além da esfera pessoal e no caso em questão, meramente apresentativa. Os educadores, inclusive, ao apresentarem-se, já aparentavam estarem mais leves e fazendo "piadas" ao apresentar o colega. Dessa forma, enquanto as duplas se apresentavam, discussões muito interessantes brotavam de referências coletadas durante a conversa da dupla.
A importância da construção do diálogo na mediação foi um ponto muito interessante que surgiu da dinâmica. Pois os educadores se deram conta da importância da "troca" durante um encontro, e que para que haja essa troca, deve-se ter abertura de ambas as partes, deixando de lado o preconceito e os clichês. E também que cabe ao educador trabalhar esse dado contribuindo assim para essa construção em grupo.
Posteriormente, discutimos algumas questões burocráticas (lista de chamada, cadastro, escriba, e-mail etc.) e em seguida a descontração tomou conta da conversa, privilegiando-se a interação em grupo, e deixando questões ligadas a conteúdos específicos da pauta para o próximo encontro. Em relação ao primeiro dia, tenho boas recordações e bons pressentimentos. Espero, em nome dos artistas, que o projeto siga nessa toada até o seu final.
Otávio Zani
Fotos: Simone Castro
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Legenda da Imagem Graziela e Osvaldo, futuros educadores da exposição Em Nome dos Artistas.
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