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A Maze in Grace

No dia 8 de fevereiro, às 11 horas, acontece a performance inédita do compositor, artista sonoro e libretista Neo Muyanga, A Maze in Grace. À ocasião, um coro de 40 vozes vai ocupar os três andares do Pavilhão da Bienal, ao redor de seu vão central, cantando uma nova composição para a melodia da conhecida Amazing Grace [Graça sublime], frequentemente apresentada como um hino de rituais de luto público em diferentes partes da África, e que possui conotação política religiosa para a comunidade afro-americana nos EUA. O trabalho de Muyanga propõe a desconstrução e um novo olhar sobre a canção, composta, em 1772, por John Newton, um traficante de escravos britânico branco que se converteu e tornou-se um pastor anglicano abolicionista no final do século XVIII após uma série de experiências de quase morte. O coletivo teatral paulistano Legítima Defesa, que realiza ações poético-políticas de reflexão e representação da negritude, também participa da performance, assim como a artista Bianca Turner (n. 1984, São Paulo, Brasil), que assina o videomapping utilizado na obra.

Para além de sua realização no dia 8, que dá início ao programa da 34a Bienal de São Paulo, a nova obra de Muyanga se desdobra em outros dois momentos: a performance que, em julho, abrirá a 11a Bienal de Liverpool, instituição parceira na realização deste trabalho; e a instalação audiovisual que integrará a mostra coletiva da 34ª Bienal, em setembro. Composta a partir de seu país, a África do Sul, e com realizações no Brasil e Inglaterra, essa obra religa os vértices do chamado “triângulo do Atlântico”.

Segundo Paulo Miyada, curador adjunto da mostra, “é difícil imaginar uma forma mais propícia de abrir a programação de uma Bienal intitulada ‘Faz escuro mas eu canto’, pois Neo Muyanga relembra o quanto uma canção de esperança está marcada pela violência e pela crueldade e, então, reencanta sua sonoridade com elementos musicais e discursivos da história dos homens e mulheres negros brasileiros e africanos – justamente aqueles que protagonizaram e protagonizam a luta pela emancipação racial que dá sentido a essa canção”.