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  • Bienal no Carnaval
    15 Fevereiro 2012
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    No carnaval paulistano de 2004, a escola de samba Nenê de Vila Matilde homenageou as grandes obras que foram expostas durante as Bienais

    Como homenageada no desfile da escola Nenê da Vila Matilde, a Bienal foi um dos destaques do Carnaval de 2004. De fato, este foi um ano que a Bienal de São Paulo esteve na "boca do povo".

    Primeiro pela minissérie da Rede Globo Um só coração, em comemoração aos 450 anos de São Paulo, que tinha como protagonista Ana Paula Arósio, no papel de Yolanda Penteado, e Edson Celulari, como Ciccillo Matarazzo. A minissérie obteve um grande sucesso de público e crítica, contando a história da cidade desde a década de 1920 com a Semana de Arte Moderna até a Festa do IV Centenário de São Paulo, em 1954 - período em que a cidade passou a ser uma grande metrópole.

    Pouco tempo depois, no sambódromo paulistano, ficção e realidade se encontraram: os atores e os funcionários da Bienal desfilaram em alas que homenageavam as grandes obras que foram expostas durante as Bienais:

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    Da equipe Bienal: Aninha de Carvalho e Claudinho ©Juan Guerra
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    Carro alegórico da Guernica, de Picasso, com a atriz Ariclê Perez ©Juan Guerra

    A ala dos funcionários, amigos e colaboradores da Bienal homenageava a série de pintura Brasiliana, de Antonio Henrique Amaral. De outubro a fevereiro os ensaios ocorreram tanto na Vila Matilde como no Pavilhão Bienal.

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    As fantasias da ala inspiradas na série Brasiliana, de Antonio Henrique Amaral. ©Juan Guerra
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    A ala da Bienal na concentração. ©Juan Guerra
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    Atores, funcionários e colaboradores da Bienal no camarote. ©Juan Guerra

    Vale lembrar que esta não foi a primeira vez que a Bienal de São Paulo foi homenageada no Carnaval. Em 1989, com o tema "De Portugal à Bienal no país do carnaval", a escola de samba Unidos da Tijuca levou o meio artístico ao sambódromo carioca. 

    Samba-enredo 2004
    Nenê da Vila Matilde

    A Águia Voa para o Futuro, Que Legal, É a Bienal no Carnaval São Paulo 450 Anos

    Raiou o dia
    A Vila vem cantar a Bienal
    É poesia
    Nenê é arte
    Do mais puro carnaval

    São Paulo me leva
    Hoje eu vou festejar contigo
    Nesse palco definitivo
    Quando o mecenas sonhador
    Criou um pólo cultural
    E a visão do modernismo reluziu
    A arte projetou nosso Brasil
    Olhando o futuro
    Novos tempos, transformação

    Era a cidade
    Num momento de ebulição

    Depois que a Guerra eclodiu
    A nova ordem surgiu
    Ganhavam o mundo conceitos da América
    As instituições, a arte em comunhão
    A verdadeira expressão
    Na plenitude se viu
    Diversos artistas de várias tendências
    A riqueza da miscigenação

    A bateria tocou
    Bem forte no coração
    Comunidade é força, raça e pé no chão
    Minha cidade a sorrir
    Ao ver meu samba passar
    E pôs a arte no contexto popular.

    Fernanda Curi Fernanda Araujo Curi é Arquiteta e Urbanista, Mestre em Museologia. Atualmente desenvolve a pesquisa "Parque Ibirapuera - 60 anos (1954-2014) Símbolo urbano, metáfora da urbanidade" no programa de Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU USP e trabalha como Pesquisadora no Arquivo Wanda Svevo da Fundação Bienal de São Paulo.