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  • Camadas Sensíveis
    02 Maio 2012
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    Imagens tratadas durante o Projeto de Preservação da Coleção Fotográfica do Arquivo Bienal revelam as camadas temporais, funcionais e sensíveis que formam um documento

    Camadas temporais, funcionais, sensíveis, camadas de contextos e significados: todas estas formam o documento, que, por sua vez – e por também conter tais camadas –, pode ser percebido, lido e interpretado de inúmeras maneiras. A máscara sobre uma imagem fotográfica é o exemplo concreto de uma camada física que, ao ser retirada para fins de preservação, revela outra camada.

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    Antes e depois da retirada da máscara de tinta

    A máscara impedia a visualização de elementos indesejáveis (na maioria das vezes ela destaca a obra, mas esconde o ambiente onde a obra foi fotografada). Ou seja, das fotografias de reproduções de obras de arte, surge um entorno que, antes oculto, reaparece e cria um novo contexto, bem diferente do contexto original e funcional que estava inserida. É como se passássemos da finalidade para a qual a imagem foi feita ao seu processo. Do fim, ao meio.

    Será que não é assim que a nossa memória funciona? Muitas vezes, só relacionando diferentes camadas ou retirando algumas máscaras que chegamos à essência do que queremos guardar ou trazer à luz novamente.

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    Imagens após a retirada das máscaras deixam clara a alteração de cor que o suporte fotográfico sofreu

    As imagens deste post foram tratadas durante o Projeto de Preservação da Coleção Fotográfica do Arquivo Bienal, apoiado pelo Programa Petrobrás Cultural e realizado pelo Arquivo em 2007 e 2008.

    Elas foram destituídas das suas máscaras iniciais, retiradas por força do processo de preservação. Um fator que influenciou para que fossem adotados esses critérios de intervenção nos suportes com acréscimos foi a inexistência de controle de temperatura e umidade relativa no local de guarda dos documentos.

    Para que o material arquivado fosse melhor conservado, foi necessário – nos casos em que a intervenção não fazia parte da obra de arte – remover as máscaras, realizadas com diferentes técnicas e materiais: tintas, fitas adesivas diversas, pedaços de filme fotográfico e cartões colados – todos agressivos aos suportes fotográficos.


    Processo de retirada de fitas adesivas no suporte fotográfico feita em capela de exaustão

    As intervenções foram registradas nas fichas de diagnóstico e permitem identificar quais documentos possuíam máscaras ou outros acréscimos e os tratamentos realizados. Houve registro fotográfico das intervenções na maior parte desses casos. Isso permite que a reprodução das imagens que possuíam máscaras, por exemplo, reutilizem esse dispositivo de edição com os novos recursos de tratamento de imagem digital quando necessário.

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    Antes e depois da retirada da máscara de tinta
    Fernanda Curi Fernanda Araujo Curi é Arquiteta e Urbanista, Mestre em Museologia. Atualmente desenvolve a pesquisa "Parque Ibirapuera - 60 anos (1954-2014) Símbolo urbano, metáfora da urbanidade" no programa de Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU USP e trabalha como Pesquisadora no Arquivo Wanda Svevo da Fundação Bienal de São Paulo.