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  • Bate-papo com Cláudio Rocha
    09 Agosto 2012
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    O tipógrafo conta sobre sua pesquisa para a Linha do Tempo Bienal e sua participação com o coletivo Caminho Suave na 'Rede de Tensão Bienal 50 anos' (2001)

    Cláudio Rocha, tipógrafo, diretor e vice-presidente da Oficina Tipográfica São Paulo, é um nomes à frente do projeto da Linha do Tempo Bienal, uma parceria entre a Oficina e a Fundação Bienal, viabilizado por financiamento coletivo. Ao contar a história das Bienais paralelamente à evolução gráfica nas últimas décadas, o projeto reúne linguagem e técnica em um produto experimental.

    A impressão pensada para o projeto também acompanha esta evolução. Os primeiros anos de Bienais são impressos em tipografia e, a partir da década de 1970, passam para a impressão offset. Nos últimos anos tornam-se impressão digital: "Como linguagem e ciência, a tipografia evoluiu sensivelmente nas últimas décadas, inclusive no âmbito das artes plásticas", comenta Cláudio Rocha.

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    A história de Cláudio Rocha com as Bienais de arte é marcada por sua participação na exposição Rede de Tensão Bienal 50 anos (2001) como integrante do grupo Caminho Suave. Ao lado de Claudio Ferlauto, Marcos Mello, Herbert Baglione, Vitché, Nina e Os Gêmeos, o trabalho do grupo na mostra "buscou uma perspectiva nova para o cidadão condicionado a ver a cidade de relance pelo vidro do carro" - afirma.

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    Vista geral da instalação do Grupo Caminho Suave, no catálogo Rede de Tensão Bienal 50 anos (2001), p.138

    "As imagens, textos e objetos expostos faziam parte do cenário urbano, como o graffiti, os cartazes lambe-lambe e objetos vendidos por camelôs, transcritos e recriados em um espaço intrincado, construído com sucata e painéis de madeira. Alguns elementos bastante familiares da iconografia urbana, que somem rapidamente ou se anulam nos excessos das grandes cidades, puderam ser vistos em detalhes", afirma Cláudio.

    Segundo ele "esse conjunto traduziu a ansiedade, o nonsense e ainda alguns absurdos da comunicação visual encontrados nas ruas, num percurso que obrigou os visitantes a se esgueirarem entre becos e agacharem para atingir as salas com os trabalhos dos integrantes do grupo. Camadas superpostas, mistura de materiais corriqueiros, irônia e piadas criaram o estranhamento necessário para o observador descobrir nuances impossíveis de serem percebidas à distância e também bisbilhotar em um espaço onde o valor da mensagem não se restringia apenas ao seu conteúdo".

    Abaixo, uma seleção de imagens do Caminho Suave:

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    Pintura de Herbert Baglione
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    Pintura de Vitché
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    Pintura d'Os Gêmeos
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    Fernanda Curi Fernanda Araujo Curi é Arquiteta e Urbanista, Mestre em Museologia. Atualmente desenvolve a pesquisa "Parque Ibirapuera - 60 anos (1954-2014) Símbolo urbano, metáfora da urbanidade" no programa de Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU USP e trabalha como Pesquisadora no Arquivo Wanda Svevo da Fundação Bienal de São Paulo.