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  • 9 artistas de Engenho de Dentro do Rio de Janeiro
    19 Setembro 2012
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    Em cartaz no Reina Sofia, exposição sobre a arte de pacientes psiquiátricos tem documentos da mostra '9 artistas de Engenho de Dentro do Rio de Janeiro' (1949), presentes no Arquivo Bienal

    Uma série de documentos do Arquivo Bienal estão presentes na exposição Espectros de Artaud. Lenguaje y arte en los años cincuenta, que abre ao público em setembro de 2012 no Museo Centro de Arte Reina Sofia, em Madri, Espanha. Os documentos datam de 1949 e se referem à exposição 9 artistas de Engenho de Dentro do Rio de Janeiro, realizada em outubro daquele ano no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). São cartas, fotografias e catálogos da exposição pioneira em introduzir obras de arte de pacientes psiquiátricos no museu.

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    Capa do catálogo da exposição 9 artistas de Engenho de Dentro do Rio de Janeiro (Outubro de 1949)

    Nem todo mundo sabe, mas as seis primeiras edições da Bienal de São Paulo foram realizadas pelo MAM-SP – que também foi fundado por Ciccillo Matarazzo, em 1948, na rua 7 de Abril, no centro de São Paulo. Existe um grande acervo documental desta época no Arquivo, denominado Sub-Fundo MAM, no qual podem ser encontrados documentos diversos, tais como os que estão expostos hoje no Reina Sofia.

    A exposição 9 artistas de Engenho de Dentro do Rio de Janeiro foi co-organizada pelo MAM, na figura de Lourival Gomes Machado, e pelo Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, representado por Nise da Silveira e Almir Mavignier, que, juntos, introduziram no Centro os ateliês de pintura e modelagem no lugar das tarefas de limpeza e manutenção que os pacientes exerciam como terapia ocupacional. Nise da Silveira assim introduz seu texto no catálogo da exposição:

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    Três anos depois da exposição no MAM, a produção desses ateliês do Engenho de Dentro deu origem ao Museu de Imagens do Inconsciente, fundado por Nise da Silveira em 1952. As ideias e o trabalho de Nise inspiraram a criação de museus, centros culturais e instituições terapêuticas em diversos estados brasileiros e no exterior, entre eles o Museu Bispo do Rosário, da Colônia Juliano Moreira no Rio de Janeiro.

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    Pátio do hospício, de Emygdio de Barros, exposta em 9 artistas do Engenho de Dentro. ©Carlos Moscovicz – Instituto Moreira Salles
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    Sem título, de Carlos Pertuis, exposta em 9 artistas do Engenho de Dentro. ©Carlos Moscovicz – Instituto Moreira Salles
    Fernanda Curi Fernanda Araujo Curi é Arquiteta e Urbanista, Mestre em Museologia. Atualmente desenvolve a pesquisa "Parque Ibirapuera - 60 anos (1954-2014) Símbolo urbano, metáfora da urbanidade" no programa de Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU USP e trabalha como Pesquisadora no Arquivo Wanda Svevo da Fundação Bienal de São Paulo.