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  • A Rua Fluxus
    15 Maio 2013
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    Fotografias de Marcos Santilli e Juvenal Pereira revelam o clima performático do grupo Fluxus durante a 17ª Bienal (1983)
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    Wolf Vostell ©Juvenal Pereira

    Uma série de imagens realizadas pelos fotógrafos Marcos Santilli e Juvenal Pereira revelam o clima performático da 17ª Bienal (1983), curada por Walter Zanini. Um dos destaques da edição foi o grupo Fluxus e alguns de seus integrantes – Ben Vautier, Wolf Vostell e Dick Higgins – que participaram da abertura da mostra com um conjunto de performances.

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    Dick Higgins ©Juvenal Pereira
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    Ben Vautier ©Juvenal Pereira

    Ao ocupar o andar térreo do pavilhão, a chamada Rua Fluxus apresentava obras e documentos dos artistas que fizeram parte do grupo, considerado fundamental na história da arte contemporânea. Nas palavras de Zanini: "Fluxus é história, mas também é presente. Artistas, compositores e poetas de muitos países integraram-se como um novo espírito de gesamtkunstwerke [obra de arte total] e realizaram dezenas de festivais, provocando o escândalo. Em suas performances desenvolveram novos conceitos de arte, conduzidos pela ideia da participação do público, conscientizando-o de que as ações Fluxus estão ao alcance de qualquer um". (catálogo da 17ª Bienal, p. 317)

    De acordo com anotações de uma palestra sobre o grupo proferida por Dick Higgins durante aquela Bienal, encontradas no dossiê dos artistas, a base do Fluxus é um triângulo de ação: música + literatura + artes visuais. Da interrelação entre os lados do triângulo, nasce o conceito de "intermedia", atualizado posteriormente por diversos artistas, tais como Ricardo Basbaum. Algumas performances do Fluxus na edição foram:

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    Exercício do Ego nº 3 de Ben Vautier. ©Marcos Santilli

    Exercício do Ego nº 3: Enquanto Ben Vautier repousava em plena Rua Fluxus durante a inauguração, as seguintes palavras estavam escritas atrás de sua cama: "Produtos produtos por toda parte produtos de arte. Que posso fazer? Por que fazer? Pela glória? Pelas meninas. Fluxus talvez preferisse (não arte) (anti-arte) (vida arte) mas talvez sejamos todos corruptos também. Por isso estou dormindo hoje dia 14 de outubro".

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    Energia nº 8 de Wolf Vostell ©Marcos Santilli

    Energia nº 8: Um cadillac e pãos brancos embrulhados no jornal O Estado de São Paulo no qual estava publicada a frase de Wolf Vostell: "São as coisas que vocês não conhecem que transformam suas vidas". O contraste entre o cadillac (símbolo maior do luxo) e o pão (alimento básico) – o extremamente supérfluo justaposto ao vitalmente necessário. Até o fim da mostra, o pão (perecível) já estaria duro e o jornal velho, desatualizado.

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    ©Juvenal Pereira
    São as coisas que vocês não conhecem que transformam suas vidas - Wolf Vostell

    De acordo com Vostell, Fluxus é um estado de espírito. O grupo se expandiu nos primórdios de 1960 em consequência do happening, assunto abordado em posts anteriores do Arquivo sobre Allan Kaprow e John Cage, que influenciaram e fizeram parte do Fluxus, assim como Joseph Beuys, Yoko Ono, Nam June Paik, Robert Filliou).

    "A principal proposta de Fluxus é, partindo de um objeto qualquer (um violino, por exemplo), despertar novas considerações sobre esse objeto, um novo conceito que o espectador não havia pensado, e conseguir um efeito emocional, de surpresa, retirando o objeto de seu contexto habitual e recolocando-o em situações inusitadas. O elemento lúdico é essencial em Fluxus. Não se pode conceber a arte rigidamente (arte séria). (...) O espectador deve ser ativo, participar, atuar". (Dossiê dos artistas. Arquivo Bienal)

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    ©Marcos Santilli
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    ©Marcos Santilli
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    Público assiste ao Concerto Fluxus, realizado na Rua Fluxus em 15 de outubro de 1983 ©Marcos Santilli

    Mais informações sobre a experiência Fluxus na 17ª Bienal podem ser encontradas em material organizado por Walter Zanini e Dick Higgins no catálogo da exposição, disponível na área de publicações do Portal Bienal.

    Fernanda Curi Fernanda Araujo Curi é Arquiteta e Urbanista, Mestre em Museologia. Atualmente desenvolve a pesquisa "Parque Ibirapuera - 60 anos (1954-2014) Símbolo urbano, metáfora da urbanidade" no programa de Pós Graduação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU USP e trabalha como Pesquisadora no Arquivo Wanda Svevo da Fundação Bienal de São Paulo.