Educativo Bienal faz o primeiro encontro de 2012 na escola Playpen
27
jan
2012
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Educativo; escolar; escolas; encontro
O primeiro encontro de arte contemporânea para professores de 2012 promovido pelo Educativo Bienal aconteceu na manhã desta quinta-feira, dia 26 de janeiro, na Escola Cidade Jardim Playpen. O encontro inaugura os cursos para professores da 30ª Bienal de São Paulo – A Iminência das Poéticas, evento que será realizado de setembro a dezembro no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera.

Cerca de 65 professores da Educação Infantil e Fundamental I e II da Playpen participaram do encontro, sendo três professores de artes. A palestrante da equipe de coordenação do Educativo Bienal, Dani Gutfreund, iniciou a apresentação com a fala sobre a relação da arte contemporânea com a vida contemporânea. Uma cópia do poema “Guardar”, de Antônio Cícero, foi entregue para cada um dos presentes. Na sequência, Dani exibiu o vídeo em que o curador da 30ª Bienal, Luis Pérez-Oramas, responde a pergunta “por que guardar?”, uma das cinco questões que fundamentam as ações educativas desse ano.

Em seguida, o grupo foi dividido em 11 subgrupos de até seis pessoas, em que cada um teve de descrever algum instante marcante de sua vida. Para Geane Pereira, professora da Educação Infantil, esse momento foi quando conheceu o mar aos 18 anos, na cidade de Santos. “Foi uma sensação de liberdade”, descreve, com um sorriso nos lábios.

Já para Ana Carolina Aranha, professora do 2º ano do Ensino Fundamental I, o instante marcante que guarda na memória foi quando, aos seis ou sete anos de idade, descobriu que não era Marisa, sua amiga de escola, mas sim ela mesma e teve a consciência da individualidade.

Depois, cada subgrupo escolheu uma das histórias para desenvolver uma imagem com recortes de folhas coloridas.

Para a professora de arte do Ensino Fundamental I e II da Playpen, Adriana Broisler Sucena, que já participa de ações do Educativo Bienal desde a 29ª, encontros como esse são fundamentais para exercitar o olhar e criar referenciais. “Sempre é uma descoberta. Nessa troca, ao ouvir as percepções das outras pessoas você enxerga algo que não viu e isso acontece também na sala de aula, com o aluno. Eu trago algumas referências para eles que, por sua vez, acrescentam às deles e assim se constrói o conhecimento”.

Após a ação poética, a palestrante finalizou a apresentação falando sobre trabalhos e poéticas de artistas que estarão na 30ª Bienal: Ricardo Bausbaum, Juan Luis Martínez, Frédéric Bruly Bouabré e Arthur Bispo do Rosário.

Ao fazer uma reflexão sobre a obra de Bispo, a coordenadora pedagógica da escola, Gabriela Argolo, usa a costura como metáfora: “A vida é um alinhavo. Uma história vai se somando à outra história e o que a gente faz com o que a gente guarda? Por que a gente escolhe guardar determinadas coisas?”, questiona.

Os encontros do Educativo da Bienal seguem até o fim da exposição. Se você tiver interesse em participar, entre em contato com o Educativo Bienal pelo e-mail educativo@bienal.org.br para receber a nossa programação.

Abaixo segue o poema “Guardar”, de Antônio Cícero.

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que de um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se
publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que ser quer guardar.


Texto: Simone Castro
Fotos: Denise Adams
 

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