Em nome das artes ou em nome dos públicos?
23
dez
2011
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Educativo; Stela Barbieri; palestra
A importância dos diálogos com a arte vem sendo discutida há um bom tempo, por toda parte, seja por quem trabalha com arte e educação, seja pelas instituições culturais. Entre os dias 13 e 15 de dezembro, Stela Barbieri, curadora educacional do Educativo Bienal e diretora da Ação Educativa do Instituto Tomie Ohtake, participou da segunda edição da conferência internacional Em nome das artes ou em nome dos públicos, promovida pela Culturgest, de Portugal. O objetivo do evento foi discutir o papel dos serviços educativos, a relação entre a arte, a obra, a mediação, o conhecimento técnico e as experiências possíveis a partir de um trabalho artístico.

Stela foi uma das palestrantes ao lado de pensadores como John Falk, Fernando Hernandez e Ricardo Jacinto. Em sua apresentação, a curadora falou sobre o erro como coeficiente artístico. O erro como algo que acontece, como desvio, como aquilo que nos foge ao controle. O erro nos tira do lugar comum e provoca reflexão. “O coeficiente artístico nos põe em movimento, tal como as crianças, que de um modo maravilhoso, não param. As crianças trazem vida ao museu e nos colocam em suspensão”, afirma.

Stela iniciou a palestra com a exibição de um vídeo concebido por ela e produzido por Matheus Leston e Tiago Lisboa, do Educativo Bienal. O filme apresenta piões em movimento, que se deslocam, empurram, apóiam ou derrubam, se fazendo mover, uns aos outros.  Piões giram em pequenos círculos, ao redor de seu próprio eixo, e são vistos por Stela como um jogo em que há uma grande chance de erro. Normalmente, precisa-se de diversas tentativas e quando o brinquedo começa a girar, a beleza do movimento nos enleva, assim como faz a vida.

A fala da curadora foi pontuada pelas questões que norteiam conceitos do trabalho educativo permanente e presente nos materiais educativos da 29ª Bienal e da mostra Em Nome dos Artistas – Arte Contemporânea Norte-Americana na Coleção Astrup Fearnley. São questões como: “De que é feita a memória?”, “Como a arte pode mudar a vida?”, “O que faz a arte ser arte?”, “Como você vê o que você vê?”, “O que permanece invisível no nosso dia a dia?”.

A relação entre memória e imaginação foi ilustrada pela frase de Aristóteles: “a imaginação nasce da mesma região da alma onde nasce a memória”. Para Stela não se pode diferenciar a arte das experiências cotidianas e a educação da vida. Ela mesma, na infância, permanecia horas na cadeira de balanço, explorando seu mundo interno, criando filmes, projeções e observando suas tias, uma que dava aula de ginástica e outra que ensinava francês e cantava com um guarda-chuva aberto. “Aprendi com elas a maravilha de ser professor.”

Stela acredita que os educativos hoje são mais respeitados pelos curadores, arquitetos e administrações das instituições culturais. Para ela as exposições precisam ser feitas em colaboração, pensando nos diferentes públicos, em acessibilidade e na propagação a partir dos encontros que acontecem nos espaços expositivos.

Com a implementação do Educativo Bienal permanente, Stela comprova a importância e o fortalecimento do trabalho e das propostas educativas não só na Bienal, mas também como um reconhecimento que reverbera em todas as instituições culturais de arte contemporânea brasileiras. Os educativos  ganham mais espaço e suas conquistas se mostram contínuas, os diálogos se tornam mais próximos e influenciam a integração entre todas as equipes que trabalham na exposição.

Clique aqui para ver o vídeo Pião.

 

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