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30 Junho 2014
Seminário Laboratório de Gestão: processos e ferramentas
Dividido em três módulos, o Laboratório de Gestão: Processos e Ferramentas é voltado para profissionais da cultura e estudantes universitários interessados na área.

O Educativo Bienal, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, promove ao longo desse ano o Seminário Laboratório de Gestão – Processos e Ferramentas. Essa é a segunda edição do evento, que dá continuidade ao seminário realizado em 2012, e agora dialoga com a mostra 31° Bienal.
 
Dividido em três módulos, o Laboratório de Gestão – Processos e Ferramentas é voltado para profissionais da cultura e estudantes universitários interessados na área, e propõe discussões sobre os processos de gestão cultural com destaque: Projeto Curatorial, Montagem de Exposição e Encontro com os Públicos.

“Esse seminário faz parte dos Encontros sobre Arte, e a ideia é propor discussões e por em contato profissionais da cultura de diversos lugares, com o objetivo de formar uma grande rede, entre SISEM, oficinas culturais, Poeisis, produtores culturais”, disse o diretor-superintendente da Fundação Bienal, Rodolfo Viana, na abertura do evento.

 
Módulo I – Projeto Curatorial
 
Com duração de dois dias, o assunto abordado no módulo I do seminário foi Projeto Curatorial. No primeiro dia de encontro tiveram duas mesas de discussões com a participação dos curadores da 31ª bienal e convidados. Já no segundo dia, diferentes dinâmicas de grupo promovidas pelo consultor, pesquisador cultural, empreendedor criativo e mediador do seminário, Leonardo Brant, permitiram uma troca intensa entre os participantes e a equipe do Educativo Bienal. Nessa primeira etapa, foram colocadas algumas questões importantes entre as funções e a relação entre curadoria da exposição e curadoria do educativo.
 
“Perceber as semelhanças e diferenças entre a curadoria da exposição e a curadoria do Educativo ouvindo cada ponto de vista é muito construtivo”, ressaltou o participante Eduardo Rocha, da equipe do projeto comunidades das Oficinas Culturais de São Paulo.
 
Mesa | Como falar de coisas que não existem: Luiza Proença e Pablo Lafuente | Mediação: Ana Maria Maia


A mesa de abertura do módulo I teve início com a fala da mediadora da mesa, a jornalista e mestre em História da Arte, Ana Maria Maia, que traçou um panorama sobre as quatro últimas bienais.

“Pensar o que se fez antes é preparar o ambiente onde se inicia o pensamento sobre a 31ª bienal” disse a mediadora, que ao percorrer a história das bienais, mostrou diversas transformações de cada exposição, as diferentes gestões e curadorias.

O processo de internacionalização da bienal, a derrubada das representações nacionais, o como viver junto, a crise institucional, o projeto curatorial que modificou a estrutura no polêmico vazio da 28ª, a retomada em tom festivo da 29ª e a forte presença de coleções da 30ª bienal foram alguns dos pontos citados na  introdução da mediadora Maia.
 
De acordo com Luiza Proença, uma das curadoras associadas da 31ª bienal que também estava presente na mesa, olhar as outras bienais faz parte do trabalho curatorial, mas tão importante quanto olhar o passado é olhar o presente e questionar as estruturas e o momento.

“Pensar a situação social e política do lugar em que estamos trabalhando é fundamental. A 31ª bienal está sendo gestada em tempos marcados pela crise de representação política. Os protestos e os rolezinhos, por exemplo, demandam novas relações políticas e novas estruturas na produção cultural. São fatos importantes repensar o que uma bienal pode fazer, pode ser, para quem e de qual modo”, completou um dos curadores da 31ª bienal, Pablo Lafuente.

Ao falar de curadoria, a polifonia horizontal é uma das marcas dessa 31ª bienal, que não possui um curador-chefe, e sim uma equipe de curadoria coletiva formada por sete pessoas que estão em diálogo constante. (link matéria curadores).

Com fotografias, charges e outras referências visuais fortes, como uma comparação de capas da revista The Economist, que num primeiro momento mostra o otimismo do crescimento econômico brasileiro, e já numa edição mais recente, o desencanto dessa potência, os curadores foram construindo o discurso a partir do que está acontecendo, com as urgências que estão sendo apresentadas.

Outra característica da 31ª bienal são os Encontros Abertos, ação dessa curadoria que acontece em diferentes cidades do Brasil e do mundo, e propõe um contato vivo com as estruturas específicas do lugar no qual se encontram.

“A intenção desses encontros é perguntar sobre as demandas locais, ao invés de levar um discurso da bienal ou da curadoria. A bienal já está acontecendo através dessas conversas que colocam em contato curadores, artistas, agentes culturais locais, críticos e galeristas”, explicou Lafuente.

Ao falar sobre o título da exposição: Como falar de coisas que não existem (link matéria exposição), o curador afirma que não existe uma teoria sistematizada sobre o que “não existe” e destacou: “Não adotar uma teoria forte, inclusive, é uma estratégia curatorial que permite que o pensar e o fazer coexistam ao mesmo tempo investindo na ideia de processo.”

Mesa | Espaços de diálogo: Carolina Melo e Denise Grinspum | Mediação: Mila Chiovatto

 

Nessa mesa, a arte-educadora Denise Grinspum abordou os principais aspectos da curadoria educativa da 27ª bienal. De acordo com ela, o projeto foi estruturado em dois tópicos principais: Programa Bienal-Escola e Projeto Centro-Periferia.
 
“Fizemos um material educativo que foi projetado para servir aos dois tópicos. Foi tudo muito intenso, tínhamos condição de fazer um trabalho de qualidade, mas só há trabalho educativo se existe vontade política da direção. A intenção de criação de um projeto educativo permanente e apto a realizar avaliações e ações continuadas é antiga, mas só tomou corpo na curadoria educativa de Stela Barbieri”, contou a arte-educadora.
 
Sobre a ideia de um educativo permanente que promova discussões sobre arte, a supervisora de relações internas do Educativo Bienal Carolina Melo, que estava na mesa, disse que o Educativo reúne pessoas e estimula conversas com a arte, com a vida, com as pessoas.
 
“A curadoria educativa de Stela Barbieri se propõe a ser uma curadoria de valores, calcada em três pilares principais – encontro, diálogo e experiência – que têm como intuito permitir o ‘vivo contato’ com a arte”, explicou Melo.
 
A coordenadora do Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca Mila Chiovatto, que estava mediando a mesa, completou: “A bienal tem como caráter formar profissionais, e promover um pensamento sobre arte contemporânea e sobre educação. Como em qualquer outra instituição cultural existe a necessidade de dar visibilidade às ações do educativo e de um adensamento conceitual através da produção de conteúdo”
 
A questão do termo curadoria educativa e o nome dado ao profissional que atende o público – monitor, mediador ou educador - também foi assunto discutido na mesa.
 
“O uso do termo curadoria educativa pode representar um posicionamento político específico. No caso, trata-se de trazer respeito à função do educador, que deste modo é colocado no mesmo patamar de importância que o curador”, disse a supervisora de relações internas da Bienal.
 
“A rigor, o educador é aquele que tem formação acadêmica em educação. Atualmente, o educador pode estar preocupado com processos de ensino e aprendizagem ou, também, preteri-los e ter como foco a questão da experiência, trabalhando de uma forma mais intuitiva”, explicou Grinspum, que não concorda com a terminologia “educadores” para esses profissionais.

Curadoria X Educativo
 
O segundo dia do seminário foi marcado por discussões intensas sobre o papel da curadoria expositiva e da curadoria educativa. Como funciona a relação entre essas equipes, a integração, e os desafios de se trabalhar junto também estiveram presentes na pauta.


 
Mediado pro Leonardo Brant, o primeiro momento foi dedicado a conversas em grupo entre participantes do seminário e equipe do Educativo Bienal. Na segunda parte, os relatores de cada grupo apresentaram essas ideias, seguido de debate sobre curadoria, arte e educação. A seguir, alguns trechos da discussão:


 
“A função do educativo é apontar caminhos para a reflexão, fazer a mediação entre a curadoria e o público, aproximar a teoria e a prática, debater pontos de tensões, e discutir propostas de soluções”, disse o artista plástico Marcelo Peres.

“Três palavras ficaram muito fortes na conversa entre a relação da curadoria com o Educativo, são elas: escuta, diálogo e processo de construção”, destacou a diretora do Museu de Botucatu Claudia Baceto.

Texto: Vivian Lobato
Foto: Sattva Horaci

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