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18 Maio 2016
Dias de Estudo Cuiabá
Encontro performativo no dia 21 de maio faz parte dos Dias de Estudo da 32ª Bienal em Cuiabá. Cerrado, tradição dos povos indígenas e o legado da cidade estão entre os temas de discussão.
Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul
Na América, num claro instante
(...)
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
(Caetano Veloso)

Aqui estamos, em tempo e espaço de suspensão, diante desses povos indígenas, aqui representados por um índio, ser exterminado que regressa sob a forma de saber e luz.  O que revela a nós, o que seria esse óbvio que esteve sempre oculto? A partir da terra de caboclos, do cerrado, das águas, do coração geodésico da América do Sul, que vem a ser também a terra da monocultura de soja, dos solos esgotados, das grandes fazendas de pastos bovinos, das espécies desaparecidas, dos índios sempre sob ameaça de genocídio, dos conhecimentos esquecidos, pretendemos discutir extinçãoEssa palavra, abundante nos relatos do presente e do futuro como realidade ou iminente ameaça, deve ser entendida como gancho para uma abordagem que as compreende de forma complexa e que recusa a ultra-especialização que contrapõe desenvolvimento e preservação, arte e ciência, cultura e natureza.

Cuiabá, com seus arredores, aparece aqui como lugar simbólico e como polo aglutinador de uma série de questões que animam as pesquisas poéticas e políticas da 32ª Bienal de São Paulo. A partir da história dessa terra e de seu importante patrimônio natural e cultural, pretendemos discutir de forma interdisciplinar as ideias de extinção e preservação, tendo como referência o cerrado, a tradição dos povos indígenas e o legado de uma cidade como Cuiabá. Não apenas por se constituir como bioma-chave para entender o impacto das mudanças climáticas, numa escala global, e a fragilidade que ameaça a grande diversidade biológica, o cerrado é nascedouro da água e território onde situam-se ou situaram-se importantes povos indígenas e comunidades tradicionais, como local emblemático para problematizar as formas de ocupação humana e o ambiente natural. Mesmo padecendo de uma história de extração e espoliação, do garimpo à soja, do desmatamento ao extermínio, esse terreno resiste em sua potência criativa e criadora. Entendemos, assim, que esses temas informam de maneira contundente as mais urgentes discussões travadas nos dias de hoje e que não devem ser encantoadas em nichos de especialização alienantes, como se os assuntos da ordem da natureza não dissessem respeito à cultura, como se ciência não estivesse intimamente ligada à arte e como se a vida social fosse antagonista do natural. Com essa série de encontros e debates, pretendemos trazer para Cuiabá diferentes visadas sobre os temas da extinção e preservação, que incorporem pontos de vista e ações de caráter artístico, científico, poético e político.

Os encontros previstos buscam reunir agentes com diferentes modo de atuação, que possam partilhar sua experiência e integrar um diálogo. Para além de identificar o contorno dos problemas tratados, debatendo sobre um panorama contemporâneo de questões socioambientais, esses encontros têm como intuito lançar-nos em ideias e proposições para o porvir.

  

Dias de Estudo Cuiabá: Encontro performativo – “Pactuar com o futuro”

Sábado, 21 de maio, às 16h
Instituto de Linguagens UFMT - segundo piso, sala M
Av. Fernando Correa da Costa, nº 2367, Bairro Boa Esperança, Cuiabá

A partir de Cuiabá e de seu patrimônio natural e cultural, a 32ª Bienal de São Paulo convida a discutir a extinção, como realidade ou iminente ameaça para o cerrado e seus povos indígenas. Entendendo a cultura como parte das questões socioambientais, nesta atividade os debates têm o intuito de pensar sobre o que é possível e preciso para criar outros mundos e futuros.

  

Participantes

Ações
Bené Fonteles, artista 
Tetê Espíndola, cantora e compositora
Joca Reiners Terron, poeta e escritor

Participam também Alvaro Tukano, Gabi Ngcobo, Larissa Silva Freire, Ludmila Brandão, Mario Friedlander, Jochen Volz, Júlia Rebouças, Lars Bang Larsen, Naine Terena, Pedro de Niemeyer Cesarino, Rodrigo Nunes e Sofía Olascoaga.

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