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Bienal Como falar de coisas que não existem

22/01/2014

31a Bienal de São Paulo anuncia título e identidade visual

Com abertura marcada para o dia 6 de setembro de 2014 (preview a partir do dia 2/9), a 31ª Bienal de São Paulo terá como título Como falar de coisas que não existem, estabelecido pela equipe de curadores Charles Esche, Galit Eilat, Nuria Enguita Mayo, Pablo Lafuente e Oren Sagiv, bem como pelos curadores associados Benjamin Seroussi e Luiza Proença.

Trata-se de uma chamada poética que coloca a potência da arte no centro do projeto. O verbo utilizado no título (falar) será trocado regularmente, para apontar para as diversas ações que precisam ser desenvolvidas para que as coisas que não existem venham tornar-se presentes. Se nesse primeiro momento o cartaz refere-se a “falar de”, outras versões terão como destaque “viver com”, “usar”, “lutar contra” ou “aprender” coisas que não existem em diferentes tempos e plataformas.

Para entender como e por que pensar a respeito de coisas que não existem, basta ter em mente que tanto o entendimento humano quanto nosso poder de decisão são restritos por crenças e limitações das nossas expectativas. As coisas que não existem fogem do quadro comum que dita como devemos pensar e agir em uma dada sociedade e em um dado momento.

Apesar de se trocar cada vez mais informações no mundo, parece haver uma redução da diversidade dos nossos quadros sociais, tendo como consequência o surgimento de um “sentido comum” opressor. Vale destacar por exemplo o modelo econômico contemporâneo que não encontra nenhuma resistência; ou a lógica fria da eficiência que ignora a história e a cultura. As coisas que não existem são justamente os aspectos da experiência humana e das nossas emoções que costumam ser encontradas fora da língua. Elas tocam nos limites do nosso entendimento e envolvem questões ligadas ao visível e ao invisível, à coletividade e ao conflito (como fato e como ferramenta), à potência transformadora da arte e da cultura, à capacidade de imaginar outros mundos possíveis.


A equipe curatorial da 31ª Bienal tem a convicção de que a arte pode propiciar encontros com experiências e emoções que não estão presentes nas análises corriqueiras da vida humana. Se indivíduos ou grupos conseguem encontrar, pela arte, coisas que eles não enxergariam por outros meios, então eles podem sentir o poder de transformar a si próprios de forma inesperada. A esperança da 31ª Bienal é que ela possa permitir que essas coisas passem a existir por meio de atos de vontade de cunho artístico. Talvez essa seja a função última da arte, historicamente e na atualidade.


Identidade Visual

Desenvolvida pela curadoria e pela equipe de design da Fundação Bienal, a identidade visual da 31ª Bienal tem uma torre movida à força humana como motivo central.


O processo para o desenvolvimento da identidade visual começou em setembro de 2013 por uma série de conversas que destacaram os questionamentos seminais dessa Bienal. O diálogo se intensificou por meio da troca e da análise de muitas imagens. Pouco a pouco, uma família de imagens se consolidou: espirais e nós tornaram-se recorrentes, bem como formas orgânicas advindas de sociedades pré-modernas.

Para desenvolver algo sob medida que correspondesse a essas ideias, a equipe curatorial resolveu convidar o artista indiano Prabhakar Pachpute para criar uma imagem única. O desenho final respondeu às ideias da curadoria por meio de uma frágil estrutura no formato de uma torre de Babel carregada por um impossível conjunto de corpos humanos. O movimento deste organismo destaca a necessidade de nos juntarmos para andar em uma mesma, ainda que incerta, direção. A dimensão fantástica dessa figura, que lembra um organismo composto por muitas patas, remete também a um coletivo inventado e à transformação física e espiritual tão importante para a curadoria desta Bienal.

No cartaz, o desenho é enquadrado por uma fonte cuja caligrafia remete à produção feita à mão, evocando certa intimidade nas relações entre a arte, a mediação e os públicos alvos da 31ª Bienal. O cartaz adota a família tipográfica baseada no trabalho do calígrafo inglês Julian Waters e o restante das aplicações utilizam a letra Arrus criada por Richard Lipton. A composição geral segue os limites da tela como se fossem guias e as cores vêm pontuar o texto, destacando algumas palavras de acordo com as necessidades da comunicação.

Saiba mais sobre Prabhakar Pachpute