menu
busca
18 Fev 2014
Na alma de Amelia
À convite do Educativo Bienal, a artista Amelia Toledo, que teve obras expostas na mostra 30 x bienal, abriu as portas da sua casa-ateliê para um restrito grupo de professores e educadores.

Visitar o ateliê de um artista é penetrar em sua alma. À convite do Educativo Bienal, a artista Amelia Toledo, que teve obras expostas na mostra 30 x bienal, abriu as portas da sua casa-ateliê para um restrito grupo de professores e educadores. A artista mostrou alguns de seus trabalhos, seu novo site e falou sobre processos criativos e poéticos.

Como numa experiência sensorial repleta de cores das tintas dos quadros, sons como da obra Glu Glu e o cheiro e sabor dos biscoitos amanteigados feitos pela própria Amelia especialmente para receber os convidados, os participantes tiveram a oportunidade de uma conversa mais próxima através do contato com o universo íntimo da artista.


Alguns dos professores e educadores compartilharam a experiência transformadora, que a visita à alma de Amelia provocou.



“Mesmo que todos ali presentes já tivessem certo contato com a produção artística da Amelia Toledo, a possibilidade de conhecer pessoalmente a artista nos permite aprofundar em seu universo mais íntimo, abrindo novas possibilidades de leituras e questões. A vontade de Amelia de explorar as frestas entre espaços está presente não apenas na sua produção artística, mas até mesmo nos pedidos para que nós tirássemos a mão do rosto enquanto conversávamos. A visita ao ateliê da artista foi uma experiência que ficou cravada não só em minha memória, mas em todo corpo. Poder olhar para ela, ouvir suas histórias, conhecer seus processos criativos, tocá-la, sentir texturas, cheiros e sons me fascinaram. A porosidade poética da Amelia com as materialidades de suas obras, principalmente com elementos singelos da natureza me fez conhecer uma artista não obcecada com o mercado, mas sintonizada com um fluxo maior - o da vida.”
Roseli Alves, coordenadora geral do Instituto Arte na Escola

“Estava ansiosa com a possibilidade de conhecer, de perto, uma artista cujo trabalho admiro tanto. Fomos recebidos pela Júlia, sua neta, que nos conduziu à sala onde Amelia nos aguardava, vestida em cores que se confundiam com as de suas  pinturas, em volta de nós. Meu olhar se alternava entre as obras, a artista e aquela sala transparente , construída em torno de uma pitangueira . ‘Projeto arquitetônico do meu filho’, frisava ela. Mas, logo percebi, que embora a curiosidade de todos fosse imensa, Amelia queria saber de nós e falar do processo de criação de seus trabalhos. Senti que a protagonista ali deveria ser a arte e não a artista, que comentava seu processo criativo e a investigação profunda dos fenômenos dos materiais. Quando Amélia nos conduziu ao ateliê, me senti como uma criança que ganha um presente: obras em processo, pincéis sobre a pia, pedras, conchas, vidros, reflexos. Um mar de criação! Ela ativou o Glu Glu e no silêncio da admiração, reverberou o som das pequenas bolhas de sabão. Pura magia.”
Ana Helena Grimaldi, Escola Comunitária de Campinas

“Foi uma imensa oportunidade conhecer pessoalmente uma artista brasileira que exerceu um papel tão marcante em nossa história. Ver seu ateliê, que fica em sua própria residência, foi simplesmente uma experiência única. Conhecer seu universo, ver fotos de sua família e até comer os biscoitinhos que Amelia nos preparou, não foi só um mergulho em sua arte, foi como se pudéssemos vivenciar seu processo criativo através de suas narrativas. Não há como sair sem ser modificado com um encontros desses."
Professora Marlene Hirata Uchima da E.E.Prof. Moacyr Campos



“Amelia Toledo em seu habitat de criação me tirou da posição vulnerável de espectador para participante de uma experiência sensorial pelo cheiro e sabor dos seus biscoitos artesanais, pelo além-silêncio do seu ateliê, pelas bolhas de sabão da obra Glu Glu. Ver todas as suas obras (as catalogadas no site e pessoalmente) e tocar na sua tela em construção… Amelia segurou meu  dedo que insistia em se manter seguro dentro do bolso (exatamente como faço no museu), esfregando-o na textura de uma pintura em construção. Todos os sentidos foram ativados nessa visita particular e enriquecedora”
Fábio Gomes, coordenador de projetos no Centro Paula Souza